segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Uma via de mão única chamada saudade.

A saudade já nem sabe mais o que é dar uma pausa.
Se instalou no peito e fez das lembranças morada eterna.
Eu queria escrever sobre o dia lindo que faz lá fora.
Mas desaprendi sobre os demais assuntos, para aprender você.

O tempo é traiçoeiro e tenta apagar aos poucos tudo o que eu sabia.
Mas nem tudo é levado ao vento do esquecimento. 
Parece que foi ontem que caminhamos por ruas desconhecidas.
Com as garrafas de cerveja nas mãos.
A lua havia deixado o céu para dar lugar as estrelas.
E você divagava sobre questões existenciais. 
Estávamos presas dentro do nosso filme, repleto de cenas clichês.
Você corria com meu celular nas mãos
E dizia o quanto eu era lerda por não te alcançar 
Rimos de assuntos só nossos e você colocou aquela música para tocar.
Deitamos na calçada sem nos importar com os olhares alheios.
Você disse que não esperava que Deus colocasse o mundo nos eixos
E na falta de palavras, coloquei minha mão em seu braço e disse "não é assim"

(Re)Lembrar me sufoca
Aperta de jeito o coração
Nós aprendemos a viver com a falta
Mas nada é pior do que não [te] sentir.


And the waves that hit his face marked the past
And the farrows on his skin, oh how time goes fast
And we are far from home but we're so happy.
Far from home, all alone but we're so happy.

Daniela Silva

8 comentários:

Vitor Costa disse...

Que bela poesia você escreveu Dani, e a música tão doce realça o brilho das suas palavras.

Uma grande paixão se constrói assim, nos ínfimos detalhes, na simplicidade de cada gesto e cada conversa. E as lembranças, embora causem uma saudade imensa, são guardadas, com esmero, nos lugares mais belos do coração.

Parabéns!!

Pérola disse...

A saudade, essa dor que não tem cura.

Bela poesia.

Beijinhos

Simone Lima disse...

Quase sempre aprendemos a viver com a falta. E isso é, pra nós, sensíveis às coisas do mundo e cheia dos sentimentos, triste... A única coisa bonita que salva a presença constante das ausências e das saudades são os versos que não suportam a prisão interior e lançados pra fora,enfeitam os olhos de quem lê.

Beijoo'os

Andressa Pereira disse...

Tudo se resume em tempo. E o tempo cura, ameniza, faz da saudade lembrança boa... só precisar ter um pouquinho de paciência.


Identidade Aleatória

Fábio Murilo disse...

Lindo texto, Dani. Tudo que foi dito, que foi lindo, tão presente, tão impregnado de eternidade, como diria, Bandeira, agora tão ausente, tão dolorido como uma chaga viva, latejante, como um fogo se consumindo na própria chama, doí. A saudade tem o sal na palavra. E a musica combinou direitinho.

Brunno Lopez disse...

O tipo de texto que a gente não espera pelo final.
Voltamos ao começo como se fosse uma continuação.

Funcionou pra mim.

Evandro L. Mezadri disse...

Bela obra, Dani!
A saudade realmente aperta...chega a ser insuportável as vezes!
Grande abraço, sucesso e ótima semana!

Ariana Coimbra disse...

Que lindo Dani!
A saudade às vezes sufoca, queima feito fogo, faz chorar e causa esse aperto enorme no peito. Mas convenhamos que essa tal saudade vezemquando é boa de ser sentida e apreciada.
É boa também pra inspirar textos belos como esse seu.

Beijo